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quinta-feira, 25 de julho de 2013

DESPEDIA-SE DA LUA

           

Naquela tarde acinzentada era fim de outono, e o sol estava se pondo no horizonte.
Juliana estava com uma tremenda angustia, mas não compreendia a razão. Do alpendre ela olhou pela janela, e viu o vento balançando as folhas das árvores, que as importunava para serem substituídas.
Às 14: 00h o telefone tocou quase igualando as batidas do seu coração, que também disparavam.  Era sua irmã Noemi que morava com sua mãe, numa cidade do nordeste.
— Alô Noemi, como vai mamãe?  Respondeu:
                 — Ela está com os mesmos sintomas. Entenda que é normal para sua idade.       
        Juliana percebeu que não era tão simples assim, e havia algo errado com a saúde de sua mãe.
           Noêmia sempre discordava quando Juliana pedia-lhe que fizesse exames mais detalhados. Costumava responder que era apenas uma gripe mal curada, e que tudo iria dar certo. Ela acostumava ir ao farmacêutico que receitaria alguns remédios, que aliviava provisoriamente as dores.
       Passara alguns meses à saúde de Joana, se agravou. Seu corpo não havia mais forças de uma mulher guerreira, determinada, e íntegra que criou seus quinze filhos sem ajuda de ninguém. Todos os dias ela tinha febre, isso não era um bom sinal.
Contudo, Juliana não poderia tomar decisões imediatas, porque morava muito distante de sua mãe.  Sentou-se e começou a pensar o que faria diante daquele problema. Irrequieta dirigiu-se ao portão, com passos vacilantes e olhar perdido em direção ao vazio.  Tudo era um tédio! Entrou imediatamente, porque o tempo escureceu e ameaçava cair uma grande tempestade. Naquele instante sentiu uma saudade, e uma sensação de perda. Lembrou-se da infância, quando vivia ao lado de sua mãe, e estava sempre segurança nas horas das tempestades.
        Na manhã seguinte, os pensamentos não a deixaram em paz. Uma voz martelava impulsionando-a visitar sua mãe. Juliana respondia para si mesma: Não paguei     nem as despesas anteriores, mas Deus proverá.
     No dia seguinte, Juliana decidiu comprar uma passagem, e viajou no próximo voo 767 da Transbrasil.
     Era quarta-feira, 18 de abril, 1996. Juliana desembarca no aeroporto dos Guararapes, (Recife). Ansiosa pegou um táxi, não via à hora de ver sua mãe.
                     — Mamãe, que saudade! Estou de volta para lhe vê.
   Joana sentada numa cadeira de balanço com semblante triste, parecia está lhe aguardando.  Sua irmã mais velha Natálie, havia também chegado de outra cidade vizinha. .

     Depois de algumas horas, entrou uma enfermeira de casa adentro conhecida da sua irmã Noêmia. Aplicou a vacina dos idosos, em Joana e mediatamente saiu.
À noite estava clara. Joana se reanimou e foi com suas filhas conversar diante do jardim da casa. Juliana sentou-se ao seu lado, massageava seus pés, enquanto conversava coisas corriqueiras. A lua estava linda e brilhante, tudo contribuía para a felicidade de ambas. Joana olhava para céu e dizia: — meus olhos nunca mais verão a beleza desta Lua.  Agradeço-a por ter iluminado os caminhos da minha juventude, quando eu vinha da roça com uma enxada nas costas, de onde tirava o sustento para criar vocês. Se não fosse Deus dado luz a esta Lua, não teria me desviado dos abismos, e das feras das noites escuras. Acabo de cumprir a minha missão, e agradeço ao Todo Poderoso por tudo que Ele me emprestou, enquanto eu estava aqui na terra.
       No dia seguinte, Joana faleceu, e foi sepultada no cemitério da Saudade. Juliana voltava para casa trazendo uma consciência pesada, que lhe fazia sérias acusações: “Talvez, se eu tivesse impedido que a enfermeira aplicasse aquela vacina em minha mãe, ainda febril, ela não teria morrido”.