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domingo, 4 de agosto de 2013

FANTASMA (CONTINUAÇÃO)

                   

  Já fazia alguns dias que eu não via Beija-Flor. Decidi passar na sua casa que ficava meio quilometro da minha. Bati palmas... Apareceu dona Severina com cara de parede caiada. Seus olhos estavam vermelhos, e uma lágrima caia no canto do olho direito. Logo imaginei: “ela deve estar cortando cebola, ou assoprando fogo de lenha verde”.
— Bom dia dona Severina, eu estou preocupada com Beija-Flor, por isso que eu vim até aqui.
     A sua voz transmitia o prenúncio de algo ruim, fiquei preocupada, quando ouvi sua resposta:
 — Minha filha está muito doente, não me deixa sair nem um momento perto dela. Vê fantasma em todo lugar. Quando toma banho só molha a cabeça, e seu corpo fica embrulhado no cobertor.
    Finalmente fiquei nervosa. Beija-Flor havia chegado ao extremo, em plena luz do dia seu drama descontrolou toda família, por causa de um fantasma.
  — Dona Severina deixe-me vê-la...
       Levou-me até o quarto, onde ela estava com o corpo inteiro coberto, ao lado  de um lampião quase apagado. Coitada da dona Severina... Não tinha mais condição financeira de comprar querosene, pois, para Beija-Flor o dia era noite. Eu não agüentava vê aquela situação, e não economizei palavras para dizer-lhe umas verdades:
 — Beija-flor levante-se! Eu tenho um remédio para curar os covardes, e os medrosos!
     Ela não se mexia... Alguns minutos depois, me respondeu, retirando o cobertor azul, daqueles que ninguém podia sofrer de prisão de ventre, e perguntou-me:
 — Qual remédio que é bom para sumir os fantasmas? Eu lhe disse:
 — Minha mãe sempre me ensinou a orar quando eu sentia medo. Vamos orar aqui mesmo, já que não temos igreja por perto.
       Todos os dias fazíamos uma oração. Beija-Flor foi acalmando, isso era um bom sinal que estava fazendo efeito.
       Seu Joaquim era um velhinho que morava nas proximidades dali. Mas, ouvia-se dizer, que ele por hobby gostava de assustar as molecadas nas vizinhanças.  Todos os dias às oito horas da manhã, ele passava pela minha casa. Era de praxe trazer um saco de milho nas costas, e seu cachorro vira-lata numa coleira, que parava aqui acolá, farejando preá dentro dos matos. Com o sol causticante, ele parou para pedir água. — “Ó de casa tem gente ai?” Estávamos brincando no alpendre junto com Beija-Flor.
  — Bom dia meninas! É muito bom ficar na sombra, e comer rapadura. Poderia me dá uma caneca d’água?
       Minha mãe pegou um caneco de alumínio e deu-lhe água da quartinha. (jarra de barro, que tem a finalidade de gelar a água  geralmente ficava nas casas mais simples do Nordeste). Minha mãe desconfiou dele, e fez-lhe uma pergunta:
   — Seu Joaquim, eu percebo que todos os dias o senhor passa com esse saco  nas costas. O que  faz com tanto milho? Ele respondeu:
    São alimentos para os porcos e as galinhas. A senhora não me ouve chamá-los?
— Todos aqui ficam com medo desse barulho. O senhor bate em latas e sua voz fica fúnebre. Beija-Flor uma menina frágil anda adoentada de medo pensa que é um fantasma
  — Ó xente, dona Ana, eu só faço isso, porque esses animais danados se distanciam do cercado.
             — Beija-Flor atentamente ouvia-o, e exclamou!
 —Ah... É o senhor, o tal fantasma!  
  Sem jeito ele cuspiu no chão, o restante d’água que estava bebendo. Pegou seu cão que gania amarrado na pilastra do alpendre, e se foi. A  Beija-Flor ficou quieta, porém, planejava juntar seus amigos para se vestirem de fantasma, e pregar um susto em seu Joaquim, assim ele aprenderia não assustar mais ninguém. Agora tudo preparado. Lá se vão eles com os rostos pintados, vestidos de branco e um chapéu velho na cabeça.  Ao mesmo tempo todos gritavam:
    Seu Joaquim... Seu Joaquim! Viemos lhe buscar para o além...
Depois se escondiam atrás das árvores. Várias vezes chamavam-no.
Horas depois, ele respondeu trêmulo:
     — Por favor, não me leve agora, porque ainda irei pedir perdão, aos jovens que eu assustei.
      —A turma caiu na risada, flagraram-no em confissão. 
Mas... Infelizmente não havia acabado em alegria. Nesse meio tempo apareceu uma visagem entre eles resmungando que era o verdadeiro fantasma. Todos saíram correndo e gritando:
    Agora é mesmo um fantasma! Socorro... É um Fantasma... É Fantasma!   
                                                             

     




      




   




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