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domingo, 4 de agosto de 2013

FANTASMA

                   
Sou a penúltima filha de um casal de nordestino de quinze filhos. Aos oito anos morávamos numa pequena cidade do agreste de Pernambuco.
           Antes de completar nove anos eu tive que me adaptar as mudanças bruscas com a separação dos                meus pais. Desde então, a vida não ficou muito pacata, alguns dos meus irmãos tomaram rumos para            uma cidade maior em busca de emprego.
Aos dez anos, prepara-me para entrar no ginásio. Mas, naquele ano contragosto, deixava os estudos para seguir os passos da minha mãe. Íamos morar num sitio arrendado, e dali por diante, eu teria que esquecer a casa onde nasci.
Quando chegamos à nova moradia, era uma casa pouco convidativa, havia servido até de cocheira para os animais se alimentar.  Sua cor branca estava encardida, pelo tempo. Possivelmente, seu dono havia caiado antes de eu ser gerada. A casa tinha seis quartos muito esquisitos, que davam ecos nos espaços vazios, que anteriormente ocupados por muitos moveis antigos. Acreditávamos que havia assombração, pois ouvíamos barulhos de mobílias caindo. A casa era localizada na beira da estrada, e  ela já havia passado todo plantio de canas-caiana que dava em direção a nossa casa.  Saíamos atrás dela como loucas, e conseguimos alcançá-la trêmula, e sem fala. Parecia o próprio fantasma sentado nas pedras, ao lado da cacimba, com os olhos arregalados de medo. Histericamente “gritava: por favor, não me leve, eu sou magrinha, mas não sou uma caveirinha”. Isso ela falava repetidas vezes. Nós sacudíamos-la para sair do êxtase, que se encontrava: “Pare beija-flor! Somos suas amigas, e não fantasmas!”.    
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